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Acessoria de Imprensa

Esta semana, proponho-me reflectir sobre a relação (conflituosa?) entre jornalistas e assessores de Imprensa. A pergunta a que me determino responder é, no mínimo, complexa: razões para jornalistas e assessores se darem mal?

Mas antes de responder objectivamente, prefiro definir o que é e o que faz um assessor de Imprensa. Segundo o meu professor de Estratégias de Comunicação, o muito brilhante Prof. João Paulo Meneses, um assessor é o intermediário entre o protagonista; a figura que lhe paga, e a Comunicação Social. Basicamente, trata-se de intermediar a relação entre protagonista e jornalista, (João Paulo Menezes, prefácio da aula «A assessoria de imprensa», de J. Paulo Meneses, ISLA).

Ao assistir a aula sobre este tema, na quarta-feira passada, o professor sugeriu aos alunos para ver uma série televisiva que ilustrava esta particular situação: “Os homens do Presidente”. Pessoalmente, e sendo feminista, optei por seguir fervorosamente “Commander in chief”, tendo Geena Davis como Presidente. Esta série trata igualmente da chefia presidencial norte-americana. MacKenzie Allen (Geena Davis) tem um Departamento de Comunicações subdividido em vários sectores. O sector que me interessa aqui tratar é, evidentemente, o de assessoria de Imprensa. A responsável, uma tal Kelly, tem como principal função, revelar aos jornalistas, o que a Presidente quer e quando quer. O trabalho dela é esse: “vomitar” o que patrão dela quer, é para isso que é remunerada.
Apesar disto poder soar infeliz, se a Presidente quiser revelar uma aberração à Comunicação Social através do seu assessor, é livre de o fazer. No episódio do dia 30de Novembro, um rapaz de origem muçulmana foi capturado aquando um atentado terrorista numa escola. Na tentativa de obter mais informações sobre os motivos e os objectivos do grupo terrorista a que ele pertence, a Presidente Allen preferiu manter as suspeitas de possíveis ataques em segredo de Estado, a fim de evitar o pânico geral. Como não podia deixar de ser, houve uma personagem do staff que a traiu e deixou escapar esta informação. O que acontece a seguir era fácil de prever: gerou-se uma polémica enorme; as escolas fecharam uma após a outra, os pais decidiram fechar os filhos em casa. E quando entram os jornalistas em acção? Ora bem, a polémica gerou-se precisamente quando os mass media tiveram acesso às informações e decidiram expô-las ao público. A meu ver, foi um erro, mas veremos isso mais adiante.
Por um lado, temos os jornalistas que têm como propósito, expor a verdade, doía a quem doer. Por outro, temos os assessores que cumprem as ordens dos protagonistas e isso apesar de muitas vezes ir contra vontade deles. Assim, quando a Presidente ordenou à sua assessora de declarar à Comunicação Social que não havia motivos de preocupação e que a situação estava controlada, acho, enquanto amadora das Ciências da Comunicação, que os jornalistas haviam ter compreendido a posição de mediador da Kelly e não ter insistido com perguntas pertinentes. Os assessores regem-se por um código ético, o que significa que devem, moral e juridicamente (?), proteger o protagonista. Se bem que vai contra a sede de informação do jornalista, este havia de compreender e sobretudo respeitar a postura do assessor. Além disso, estariam a ser hipócritas, visto que também eles têm um código ético e deontológico a adoptar e raramente o infringem. Quanto às fontes, quando pretendem manter o anonimato, o jornalista revela apenas e só apenas as dicas dessas e não as comprometem de forma alguma. Ainda bem que falei nas fontes, porque, a bem dizer, o assessor é uma fonte de informação só que limitada. Então, por que quererão os jornalistas comprometer essas fontes? Não ficariam todos a ganhar se aprendêssemos a não transgredir imposições?
Se há razões para jornalistas e assessores se darem mal? É realmente uma pergunta ratoeira… Quem cria as razões são as pessoas envolvidas. Penso que estarão a fundamentar-se através de argumentos um tanto e quanto simulados para justificar esta conflituosidade. Talvez por serem tantas vezes manipulados, os jornalistas tornaram-se incrédulos e persistem em saber sempre mais… Pensando bem, “gato escaldado de água fria tem medo”. Também eu ficaria a suspeitar se Beltrano mandasse o seu assessor falar comigo. É claro que são contratados por uma questão de comodidade mas nem sempre é esse o motivo. Se a bomba explodir, quem ficará com o nome manchado num primeiro tempo será o assessor que deu a cara. É perfeitamente plausível.

Será por os jornalistas desvalorizarem o trabalho de assessoria, pensando que são uma pobre réplica deles? Isto é, o assessor restringe-se a revelar factos, histórias que o patrão quer mas em termos científicos não têm qualquer mérito; não têm trabalho de pesquiça. É possível, mas só mesmo perguntando aos visados da história.

 

                         

o MKT está em todo o lado

Desde o recém-nascido que abre as goelas e manda berros altíssimos para ser alimentado ao clássico ramo de flores que o marido oferece à mulher para diminuir suspeitas de adultério. Poderá parecer pateta afirmar tal pressuposto e ainda se questionarão sobre a veracidade da minha afirmação: "mas um bebé é inocente, nem sequer fala quanto mais manipula?". Ao que responderei que estão errados. Um bebé, de facto,não usa a linguagem verbal como nós usámos, mas isso não o torna tão inofensivo como acreditamos. Tem uma técnica de comunicação baseada na linguagem gestual. Aquele pequerruchinho indefeso, sorridente e que é a nosa cara chapada, sabe comunicar sim, e se sabe! Quando está esfomeado, com a fralda suja, quando está a sofere devido às tão desagradáveis cólicas, ele arranja uma maneira muito eficaz de se fazer respeitar. E não é que funciona? Vamos ou não (isto quando não mandamos os maridos) a correr, assegurar-nos que ele está bem? Pegamo-lo ao colo e embalamo-lo para o consolar. Pois é… Isto para dizer que, se a comunicação está em todo lado e é praticada por todos, o marketing também.

O marketing rodeia-nos no nossa dia-a-dia e talvez já não o notamos tanto devido à sua incalculável difusão. Quer dizer, de tanto "levarmos" com ele, habituamo-nos à presença dele. Nós sofremos as estrategias  de merketing. Sofremos enquanto que consumidores e como cidadãos. 

Não me diga que há gente que ainda se acredita no carinho do Sr. Dr. Ministro Fulano demonstra ter para com o Zé-povinho e isto em plena campanha eleitoral?! Se fosse a enunciar os maiores exemplos de marketing, falava exclusivamente de Política porque realmente temos em abundância.

Ainda esta semana, o Ministério da Educação foi confrontado com os seus critérios avaliativos no mínimo duvidosos. Algumas escolas “inflacionavam” as notas dos exames internos que contrastavam com os baixos resultados dos exames nacionais. Terá sido por uma questão de prestígio?

Atravessando o Atlântico e em direcção aos Estados Unidos, encontramos Hollywood e as suas inevitáveis estrelas, que têm penteados extraordinários em dias ordinários enquanto que nós nem no dia do São-Nunca-a-Tarde! Para não mencionar a famosíssima entrega dos prémios, que mais se parece com uma passagem de ricos e altamente ricos, à diferença que os deslumbrantes vestidos de seda e as jóias Cartier são alugados ou começam por um K…

As agências de publicidade e de consultaria de imagem não têm escrúpulos e pervertem os mais novos com material escolar da Disney, e outras marcas, a preços exorbitantes. Nada é feito ao acaso. Antes de lançar qualquer produto, estudam o mercado, seleccionam um público-alvo e identificam a principal característica deste. Geralmente, têm mais sucesso com os adolescentes por serem influenciáveis.

Se há uma frase que foi incansavelmente repetida ao longo de quatro anos de estudo da Comunicação, é que “todo ser humano comunica para atingir um objectivo”, seja ele qual for. O homem que passa por nós na rua a cantar em alto e bom som, poderá estar a fazê-lo para exteriorizar a alegria dele. À primeira vista, concluímos: “olha aquele bebeu!”, e por mais que tivesse bebido, limitou-se a alcançar o propósito dele. Portanto, comunicamos sempre e sempre com uma finalidade. Com base naquilo que disse, concluo que se comunicamos por interesse estamos a manipular quem nos queira ouvir.

Se comunicação é manipulação e é omnipresente, o marketing, sendo uma técnica da comunicação, também o é.

Uma forma de atingir os nossos objectivos é através dos grupos que muitas vezes ajudam à concretização destes.

Poder-se á dizer que um grupo é uma manobra de marketing? Tudo aponta que sim.

Poderá verificar a minha dedução no pequeno ecrã, nomeadamente nos anúncios publicitários, que expõem a/o namorado a cozinhar pratos requintados para o cônjuge ora para conseguir perdão ora para obter permissão para ficar com o cachorro que recolhemos em casa.

Afinal, a receita para a felicidade resume-se à “massa penne com legumes salteados regados com o infalível azeite Oliveira da Serra”.